A circulação reduzida de ônibus em São Paulo deixou eleitores diante de pontos cheios e trajetos demorados no segundo turno de 25 de outubro de 2026. Na Zona Sul, Alexandre Mendes ainda tentava chegar ao local de votação após mais de duas horas de deslocamento.
A reportagem percorreu vias do Campo Limpo, de Itapecerica e a Avenida Carlos Caldeira Filho e encontrou paradas lotadas. Segundo levantamento citado na cobertura, a frota circulava com cerca de 70% da capacidade, embora a Justiça Eleitoral tivesse determinado o equivalente a 100% dos dias úteis.
Eleitores e trabalhadores foram afetados pela demora na capital paulista. Priscila Mourão, atendente de cafeteria, conseguiu votar antes de trabalhar, mas relatou preocupação com a volta para casa devido à espera pelo transporte.

A cobertura também trata da divergência sobre a extensão do horário de votação: o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que não haveria prorrogação, mas o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu ampliar o período. O Partido dos Trabalhadores (PT) pediu a prisão do prefeito Ricardo Nunes e do secretário municipal de Mobilidade Urbana e Transportes, em uma iniciativa que teve paralelo com Salvador.
Pontos lotados e trajetos longos na Zona Sul
Alexandre Mendes saiu de Interlagos por volta das 14h para votar no Jardim das Rosas e calculava que o percurso levaria 40 minutos. Como o ônibus que esperava não passou, caminhou até o metrô, seguiu para Santo Amaro e desceu na estação Capão Redondo.
Às 16h12, Mendes recebeu uma mensagem da filha sobre a possibilidade de a votação se estender até as 19h. Ele aguardava havia quase meia hora a linha 6820, Jardim das Rosas, perto da estação Capão Redondo, e ainda precisava chegar ao local de votação.
O ônibus chegou às 16h33, e Mendes disse que tentaria correr para votar. A extensão do horário foi decidida pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Cristiano Zanin, poucos minutos antes do encerramento previsto para as 17h, após o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, informar que não haveria prorrogação.
A decisão de ampliar o período por mais duas horas ocorreu depois de horas de análise de pedidos das campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro. Com a mudança, a divulgação dos resultados, que já havia começado, foi interrompida, segundo a reportagem, que informou que continuaria acompanhando a apuração.
PT pede prisão de Ricardo Nunes e aponta paralelo com Salvador
O Partido dos Trabalhadores (PT) pediu a prisão do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, e do secretário municipal de Mobilidade Urbana e Transportes, Celso Jorge Caldeira. A solicitação ocorreu após a circulação de ônibus abaixo do determinado pela Justiça Eleitoral no segundo turno de 25 de outubro de 2026.
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou que havia precedente para o pedido, em referência a Salvador. Na capital baiana, restrições na frota também prejudicaram eleitores, e foi solicitada a prisão do prefeito Bruno Reis, do União Brasil.
O transporte também preocupou Priscila Mourão, atendente de cafeteria de 28 anos, que votou antes de ir trabalhar e relatou demora para voltar para casa. A Agência Pública havia abordado no primeiro turno as dificuldades de trabalhadores para votar, incluindo casos de falta de liberação pelos empregadores ou de tempo insuficiente para chegar às seções.
No primeiro turno, Lula recebeu quase 300 mil votos a mais que Flávio Bolsonaro na capital paulista, o maior colégio eleitoral do país. A distribuição dos votos variou entre regiões: levantamento citado na reportagem indicou melhor desempenho de Lula no centro e em bairros periféricos, especialmente os mais distantes do centro.


