Segundo reportagem publicada em 5 de novembro, a loja de vestidos de festa Arthur Caliman trocou a vitrine de sua unidade na Avenida Santo Amaro, na Zona Sul de São Paulo, após uma denúncia de racismo.
A composição inicial mostrava manequins negros com aventais em posições que simulavam servir ou atender manequins brancos vestidos para festas. Não havia figuras negras usando vestidos de festa nem manequins brancos representados na função de atendimento.
O caso também chegou ao Ministério Público de São Paulo (MPSP): uma representação foi protocolada em 3 de novembro e estava sob análise da Promotoria de Justiça dos Direitos Humanos – Inclusão Social.

Depois da alteração, o Observatório da Branquitude afirmou que a mudança da vitrine, por si só, não resolve a questão e defendeu o reconhecimento do racismo e compromissos concretos. A loja negou intenção de transmitir uma mensagem racial e disse lamentar o desconforto causado.
Como era a vitrine e o que mudou após a denúncia
Após ser procurada pela reportagem, a Arthur Caliman substituiu a composição exposta na unidade da Avenida Santo Amaro. A nova montagem passou a incluir dois manequins brancos que também simulavam atender uma mulher branca com vestido de festa.
A mudança ampliou a representação de pessoas brancas na cena de atendimento, que antes aparecia apenas com manequins negros de avental. A denúncia de racismo em vitrine levou, assim, à alteração da disposição dos modelos, mas a imagem de atendimento continuou presente.
A empresa informou que fez a troca depois do contato da reportagem. A alteração foi apresentada pela loja como substituição de um manequim, além da inclusão dos dois modelos brancos na nova composição.
Críticas de especialistas à representação dos manequins
Manuela Thamani, diretora executiva do Observatório da Branquitude, avaliou que a composição não era apenas um erro de montagem. Para ela, a cena associava pessoas brancas à celebração, ao consumo e ao prestígio, enquanto colocava pessoas negras em posições de serviço.
Thamani afirmou que uma vitrine comunica ideias sobre quem é associado ao luxo e quem aparece como cliente. Também relacionou a imagem à hierarquia racial e à memória colonial, com a branquitude no centro e a negritude em posição de apoio.
O advogado Hédio Silva Jr., fundador do Jusracial, disse que a disposição projetava a população negra em um lugar de subalternidade. Ele classificou a mensagem como incentivo à discriminação racial e a descreveu como um crime racial, opinião atribuída ao advogado.
Posição da loja e análise da representação pelo MPSP
Em nota, a Arthur Caliman disse que a escolha dos manequins varia e que, na maioria das vezes, busca valorizar o contraste com as roupas. Segundo a empresa, esse critério orientou a composição questionada.
A loja afirmou que a vitrine registrada pela reportagem combinava manequins pretos com trajes brancos e um manequim branco com vestido azul-escuro. Também declarou que a vitrine anterior tinha apenas manequins pretos com vestidos claros.
A empresa negou a intenção de transmitir uma mensagem racial, disse repudiar racismo e discriminação e lamentou o desconforto causado. A representação sobre o caso segue sob análise da Promotoria de Justiça dos Direitos Humanos – Inclusão Social, do Ministério Público de São Paulo (MPSP).


